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A tecnologia e as relações familiares.

Bom dia, pessoal.

Já notaram o quanto a tecnologia interfere nas relações familiares? Já perceberam que o que era para ajudar, tem dificultado a concentração, a aprendizagem e a educação dos nossos filhos?

Pensando nisso, chamamos uma mulher fera no assunto, a psicopedagoga PATRICIA LEUCK, que é profissional, esposa, mãe de um casal lindo de filhos e mulher “multifacetas”.

Vamos ler o que a Patricia Leuck (mais uma Pati!) tem a nos dizer?

“A tecnologia e as relações familiares

Tecnologia, palavra originária da Grécia, é formada por tekne- (arte, técnica ou oficio) e por logos ( conjunto de saberes). É utilizado para definir os conhecimentos que permitem fabricar objetos e modificar o meio ambiente, com vista a satisfazer as necessidades humanas.

Necessidades estas que satisfazem o ego, a saudade de pessoas que moram longe, agiliza e aumenta a produtividade de trabalho humano e do nível de vida da população. Ao mesmo tempo, ela afasta as pessoas, diminui o contato físico, a comunicação familiar, sem falar nas diversas armadilhas perigosas para nossos filhos. Cognitivamente falando, o excesso de tecnologia causa alto índice de déficit de atenção, distúrbios do sono e dificuldades de aprendizagem por causar desorganização nas informações recebidas, devido ao grande número de informações que recebemos durante o dia, assim o cérebro recebe, porém não acomoda para que haja a apropriação da aprendizagem, causando assim a estafa mental.

Há famílias que buscam compreender o modo mais adequado de aproveitar a tecnologia, porém acredito não ser este o grande problema, mas sim a quantidade de tempo que a utiliza, onde a utiliza. Estamos trocando o dialogo, a socialização, a afetividade pela vida virtual. Mas tudo tem seu lugar e seu limite. Quando organizamos momentos de lazer em família, pensamos (acredito) em aproveitar para conversar, saber o que seus filhos estão fazendo, jogando, sobre seus amigos. Atividades de lazer em família servem para que se busque o fortalecimento da união, da cumplicidade e do afeto.

Uma pesquisa realizada com 1521 crianças de 06 a 12 anos pela Highlights, revista infantil norte-americana, mostrou que 62% das crianças reclamam que os pais estão distraídos demais para ouvi-los. Os celulares estão em primeiro lugar neste ranking. Em 28% dos casos, pais e mães estavam entretidos com os aparelhos que mal prestavam atenção aos seus filhos. E com os celulares vieram smartphones e tablets, TVs, causa de distanciamento em 51% dos casos. Você conhece alguma família que se encaixe nessa pesquisa?

E essa realidade não afeta somente relacionamentos entre pais e filhos, mas também em casais . Em um outro estudo, da Brigham Young University ( EUA), realizado com 143 casais, as mulheres relataram que os smartphones atrapalham o relacionamento com seus cônjuges. Enquanto leem esse post, vocês estão percebendo alguma semelhança em suas vidas? É muito louco isso, não nos damos conta com a correria do dia a dia.

Não afirmo que a tecnologia seja boa ou ruim. Convivemos hoje com a concorrência desleal de atividades de lazer muito mais prazerosas para nossas crianças e nossos adolescentes, jogos excitantes em que podem tudo, constroem e destroem mundos. Eles detêm o poder nesse mundo virtual, podem ser o que quiserem. Um programa familiar torna-se monótono e sem graça, a frustração da realidade. Afinal, na vida real temos limitações, deveres e responsabilidades que ao ver da garotada é muito chato. Contrapondo a isso, há fatores positivos de seu uso saudável como a aprendizagem motora, cognitiva e emocional.

Enfim, a tecnologia quando utilizada com limites, saudavelmente é benéfica à sociedade. Tudo em excesso traz prejuízos mentais, emocionais e orgânicos. Minha dica é que aproveitem o máximo os momentos familiares, dialoguem mais, convivam mais e amem mais seus familiares, esse é nosso bem maior. Transmitindo esses valores aos seus filhos, de que a família é o bem mais precioso que possuímos e que ela vem sempre em primeiro lugar e nada a substitui, estarão formando crianças mais seguras, mais amáveis e confiantes.

A tecnologia é que deve depender da sociedade e não a sociedade depender dela. Ah! E lembrem-se papais e mamães, educamos pelo exemplo, assim, partimos do pressuposto que para educarmos nossos filhos, temos que nos reeducar primeiro. Tarefa difícil, mas quando amamos nada é impossível . Vamos começar nossa reeducação tecnológica? Lançado o desafio: vamos nos propor a uma desintoxicação mental por algumas horas do dia, fugir da escravidão virtual e tecnológica e aproveitar mais os momentos em família ?”

Patricia Leuck – Pedagoga/Psicopedagoga – ABPp/RS1049/12

 

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